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BlackX: bootkit burla o Secure Boot do Windows mesmo em PCs atualizados

Novo malware de nível de firmware explora uma falha antiga que a atualização sozinha não fecha. Veja por que a revogação manual importa.


Publicado em · 2 min de leitura

Ilustração de um chip na placa-mãe com o escudo do Secure Boot rachado e código malicioso entrando por baixo.
Imagem ilustrativa.

Instalar a atualização do Windows nem sempre basta. Esse é o recado do BlackX, um malware descoberto pela Kaspersky que se instala antes mesmo do sistema operacional ligar e passa pelo Secure Boot em computadores que já tinham o conserto, mas sem uma etapa manual.

O que é um bootkit

O Secure Boot é a proteção que confere se o que carrega na inicialização do PC é confiável. O BlackX é um bootkit UEFI, código malicioso que roda nessa fase, antes do Windows e do antivírus. A Kaspersky descreve o programa como uma versão atualizada do BlackLotus, um bootkit conhecido. O objetivo é permanecer escondido e driblar defesas.

A falha que o conserto não fechou

O BlackX explora a CVE-2022-21894, conhecida como Baton Drop, que a Microsoft já corrigiu. O problema é que o conserto só funciona por completo se o administrador fizer também as etapas de revogação manual. Sem elas, os arquivos de inicialização vulneráveis continuam carregando, porque o certificado “Windows Production PCA 2011” não está na lista de bloqueio do Secure Boot, a DBX. Esse certificado expirou em 19 de outubro de 2026, mas a expiração, sozinha, não impede o carregamento.

O invasor precisa de privilégios de administrador na máquina, normalmente obtidos depois de invadir a rede por outro caminho. Então instala os arquivos, e o foco é registrar chaves próprias para carregar o que quiser e atrapalhar o Secure Boot. Entre as cargas, há um driver que mexe em programas de segurança e um trojan de acesso remoto que usa Google Drive, OneDrive e Yandex.Disk para receber ordens.

Quem foi atacado

Segundo a Kaspersky, os alvos foram organizações diplomáticas no Tajiquistão, no Uzbequistão e no Turcomenistão no início de 2026. A empresa suspeita do grupo APT41, ligado à China, mas a atribuição é só uma suspeita. A reportagem não cita ataques a usuários comuns.

Como se proteger

  1. Aplique as atualizações do Windows, mas saiba que elas não bastam para esse caso.
  2. Quem administra computadores de empresa deve aplicar as mitigações de revogação do Secure Boot da Microsoft, incluindo adicionar o certificado Windows Production PCA 2011 à DBX.
  3. Mantenha o Secure Boot ligado na configuração do firmware (BIOS/UEFI).
  4. Não use conta de administrador no dia a dia. O bootkit precisa desse nível de acesso para se instalar.
  5. Desconfie de programas e anexos desconhecidos, porque o ataque começa com outra invasão.

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