Dado genético é o tipo de informação que não dá para trocar, como se troca uma senha. Por isso o vazamento da 23andMe, em 2023, segue rendendo consequências: a empresa que a sucedeu fechou um acordo de US$ 6 milhões com o estado da Califórnia por não ter protegido bem os dados dos clientes.
O acordo
Segundo o The Record, a Chrome Holding Company, nome atual da antiga 23andMe, vai pagar o valor ao estado, conforme anunciou o procurador-geral Rob Bonta. A acusação é de que a empresa não protegeu de forma adequada os dados pessoais e genéticos, o que permitiu o ataque de 2023, que expôs informações de quase 7 milhões de pessoas.
O acordo ainda depende de aprovação do Tribunal de Falências do Distrito Leste do Missouri. Os consumidores afetados mantêm o direito de apagar seus dados e de pedir a destruição das amostras genéticas. Bonta disse que “empresas não podem escapar das leis de proteção ao consumidor e à privacidade da Califórnia ao pedir falência”.
Como a história chegou até aqui
Em março de 2025, a 23andMe entrou em falência e vendeu as amostras de saliva e os dados genéticos dos clientes ao TTAM Research Institute, uma entidade sem fins lucrativos criada pela ex-CEO Anne Wojcicki. Ela também é CEO da Chrome Holding Company. O TTAM afirma que não teve participação no acordo. Em julho, a empresa já tinha fechado outro acordo, de US$ 18 milhões, com 42 outros procuradores-gerais estaduais.
Por que isso importa para o brasileiro
A reportagem trata de um caso americano e não diz quantos brasileiros foram afetados. A lição serve aqui também. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) classifica dado genético como dado pessoal sensível e dá ao titular o direito de pedir a eliminação das informações tratadas com o consentimento dele. Se você já enviou saliva a algum serviço de ancestralidade ou saúde, vale saber o que ele guarda e com quem divide.
Como se proteger
- Peça a exclusão dos seus dados em qualquer serviço de DNA que você deixou de usar, e a destruição da amostra, se houver essa opção.
- Leia o que acontece em caso de venda ou falência. Os dados podem passar para outro dono, como aconteceu aqui.
- Pense duas vezes antes de enviar material genético. Diferente de uma senha, ele não pode ser trocado.
- Proteja a conta do serviço com senha única e verificação em duas etapas.
- Desconfie de e-mails sobre o caso. Golpistas aproveitam vazamentos conhecidos para pedir dados e cobrar taxas falsas.



